Friday, October 14, 2005

As estatísticas a serviço do Bem Maior

Campanhas impregnadas por estatísticas me causam uma sensação, algo assim entre o riso cínico e o nojo...

Primeiro, que a população não entende fração, quanto mais percentagem. Segundo, que os dados estão sempre distorcidos; e ainda que não estivessem, dificilmente garantiriam alguma coisa. Terceiro, que o conceito de eficácia neste caso é bastante difícil de ser definido -- quantas vítimas a mais ou a menos são necessárias? de que tipo?

Por último, mesmo que se prove algum dia a eficácia do desarmamento para se diminuir um poucochinho a violência, eficácia não deveria servir como argumento para se restringir direitos individuais. Ou pelo menos, tomada com extremo cuidado. Sobretudo quando se trata de uma eficácia tão vaga. E nêgo não percebe isso. Que a eficácia é maligna; que no dia em que os fins justificarem os meios, tudo será permitido.

A tortura é eficaz? Tratemos de legalizá-la. Evitaria a morte de um bom número de caboclos, não? Um chip no cu do cidadão ajudaria a prevenir a criminalidade? Que o Estado enfie os seus intrumentos e o bem-comum em nosso rabo.